
Venceu Texas Children’s Houston Open menos de três anos depois de ter sido operado a um tumor no cérebro
Há três semanas apenas, Gary Woodland, de 41 anos, tinha falado aos media do seu diagnóstico de TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático) na sequência de uma cirurgia ao cérebro efectuada no Verão de 2023. Incrivelmente, este domingo voltou às vitórias no PGA Tour, por ocasião do Texas Children’s Houston Open, que decorreu no Memorial Park Golf Course, em Houston.
Foi o seu primeiro título desde o êxito no US Open de 2019 em Pebble Beach. Há um pouco menos de três anos, foi submetido a uma cirurgia para remover um tumor que pressionava a parte do cérebro responsável pelo controlo do medo e da ansiedade. Regressou às competições no início de 2024, e esta é a sua terceira temporada completa de regresso, com percalços pelo caminho.
Durante uma volta no Procore Championship, um marcador de resultados assustou-o ao ficar mais perto do que gostaria, e de repente a sua visão ficou turva e não se conseguia lembrar do que estava a fazer. Acabou então por tornar público o seu diagnóstico de stress pós-traumático, que recebeu há cerca de um ano, na esperança de se libertar do esforço exaustivo de fingir que tudo estava bem e também para ajudar os outros.
“Já não posso desperdiçar energia a esconder isto, e sou abençoado pelo apoio que recebo aqui no TOUR", disse então Woodland ao Golf Channel após revelar o diagnóstico de TEPT. “Agradeço esse amor e apoio. Mas, por dentro, sinto que estou a morrer e que estou a viver uma mentira. Quero viver os meus sonhos e ter sucesso aqui, mas também quero ajudar as pessoas. Percebo agora que preciso de me ajudar primeiro – e espero que este seja o primeiro passo para isso.”
E foi mesmo um primeiro passo, porque registou uma melhoria imediata nos resultados, a culiminar num desempenho dominador no domingo rumo à vitória no Texas Children’s Houston Open. Por coincidência, na edição passada terminara em segundo lugar no Memorial Park, o seu melhor resultado desde que regressou da cirurgia. Este ano fez ainda melhor e a emoção transbordou nele sob a forma de lágrimas, respirações profundas e a constatação de que tudo pode superar.
Partindo para a última volta a liderar com a vantagem mínima sobre o dinamarquês Nicolai Højgaard e com seis à melhor sobre o duo dos terceiros, composto pelo detentor do título, o australiano Min Woo Lee, e o norte-americano Michael Thorbjornsen, Woodland fechou com 67 pancadas (-3) para um total de 259 (-21), o que lhe deu a vantagem final de cinco shots sobre o vice-campeão, que foi Højgaard.
“Aqui praticamos um desporto individual, mas hoje não estava sozinho”, disse Woodland, com a voz embargada pela emoção. “Quem estiver a passar por alguma dificuldade, espero que me veja e não desista. Continue a lutar.”
“É só mais um dia. Hoje foi um bom dia”, afirmou, já com um sorriso e uma curta gargalhada. “Mas tenho uma grande batalha pela frente e vou continuar a lutar. Mas estou orgulhoso de mim mesmo agora.”
Com esta vitória, a sua quinta no PGA Tour, o veterano americano de natural de Topeka, Kansas, recebeu um prémio de $1,782,000 milhões e subiu de 119.º para 25.º na FedEx Cup. No ranking mundial passou de 139.º para 51.º. Garantiu também um convite para o Masters Tournament que se joga de 9 a 12 de Abril.
No Texas Children’s Houston Open, Min Woo Lee foi terceiro na defesa do título, empatado com o norte-americano Johnny Kieffer, ambos com 265 (-15).