
A crença de Tomás Bessa na sua carreira de jogador profissional após calvário de lesões
Tomás Bessa sagrou-se campeão nacional de profissionais pela segunda vez na sua carreira e não evitou alguns momentos comoventes após a vitória em julho. Entre os títulos de 2020 em Vidago e de 2025 em Troia, curiosamente ambos com 12 abaixo do Par, viveu um calvário de lesões, sobretudo a segunda, que levou-o a questionar todos os seus sonhos de menino.
Um contraste que nunca esperámos ver, entre aquele físico impressionante, uma espécie de versão portuguesa de Brooks Koepka, que caminhava pelos fairways com uma aparente confiança inquebrável, e a natural fragilidade psicológica que atinge todos os que já sofreram revezes na vida.
A sua persistência foi premiada em 2025 e poderá vir a fazer uma grande temporada em 2026, num ano em que irá completar 30 anos, ainda jovem para o golfe.
Há pouco menos de um ano, quando regressava à competição, o jogador de Paredes, que reside no Algarve, abriu o coração e a mente ao GolfTattoo (com o apoio da Tee Times Golf) e vale a pena recuperarmos essa entrevista inédita, sincera e importante para todos aqueles que já passaram pelo mesmo ou poderão um dia atravessar tamanha tormenta.
No final da época, já em dezembro, no Rolar Algarve Classic, do Mena Golf Tour, recordei ao Tomás a entrevista, prometi-lhe que seria publicada mesmo antes da época de 2026 e ele acedeu a fazer então uma avaliação de 2025, num sempre complicado regresso à competição, após quase um ano e meio sem poder jogar decentemente.

GOLFTATTOO – Em 2024 estavas na dúvida de ser operado. Estavas a tentar fazer tudo o que era possível para evitar a cirurgia. Como foi esse processo até à decisão final?
TOMÁS BESSA – Basicamente, eu parei de jogar golfe em novembro de 2023 (já lesionado há algum tempo) e recomecei em setembro de 2024. Lembro-me de que entrevistaste-me no Open de Portugal de 2024.
GT – Nessa altura, estavas apenas a fazer um teste. Depois voltas a parar até janeiro de 2025.
TB – Exatamente. Nessa altura, também estava a voltar a treinar, ainda muito condicionado com a dor e com o volume de treino que eu conseguia ter, tolerando a dor. E falei-te que estava a tentar evitar ao máximo a cirurgia porque sabia que iria atrasar-me ainda mais uns meses. Eu não sabia que era um processo tão rápido. A cirurgia correu super bem e tive um mês parado. Mas, na altura, estava a tentar evitá-la. Como já estava parado há um ano, não queria estar ainda mais tempo parado. Mas acho que foi inevitável, digamos assim. Era a única solução. Eu tinha uma fratura óssea e tinha mesmo que retirar esse osso que estava fraturado na mão esquerda, que apanhava também o pulso. Tinha de descomprimir também um nervo que interferia muito com as dores que tinha ao fazer o impacto na bola e no chão. Eram dores que causavam-me uma dormência na mão e no cotovelo. Portanto, era completamente impossível continuar nesse registo, até porque também estava a ficar frustrado de não conseguir cumprir tecnicamente aquilo que queria fazer. Portanto, se eu realmente queria voltar a 100%, era uma decisão que teria mesmo de tomar. E deveria tê-la tomado mais cedo.
GT – Foi a primeira grande lesão que tiveste na tua carreira?
TB – Não. Em 2022 fui operado a um menisco. Magoei-me num treino de ginásio durante a época. E recordo-me de ter também atrasado um bocado as coisas para ver se realmente necessitava mesmo da cirurgia. Fui operado ao menisco no fim do ano e foi uma recuperação muito pacífica. Em dois meses fiquei bem.
GT – Isso, de alguma forma, ajudou-te psicologicamente a suportar esta nova lesão? Às vezes, quando é a primeira vez, há muita ansiedade, porque os atletas não sabem se serão capazes de regressar a um nível aceitável. Por já teres passado por essa experiência, sabias que seria uma questão de tempo?
TB – Esta lesão foi muito mais frustrante do que a primeira. Porque o prognóstico que os médicos davam-me ao início… quando fiz alguns exames e uma ressonância magnética, os médicos achavam que conseguiríamos tratar a lesão conservadoramente, ou seja, sem atos médicos, sem intervenção médica. Que seria possível só com imobilização, que seria uma questão de seis, oito semanas para se resolver. Entretanto, as coisas continuavam iguais. Eu continuava com dores e não conseguia sequer fazer um chip ao lado do green. Isso acabou por frustrar-me bastante. Até decidi que não queria jogar mais a nível profissional. Derivado um bocado dessa frustração, foi um processo muito mais profundo do que a lesão ao menisco, na qual eu sentia que aquilo incomodava-me, mas até conseguia jogar. Só que, a longo prazo, para a minha saúde articular do joelho, seria melhor fazer a cirurgia. Era mais o caminhar e andar em subidas e descidas que causava-me dor. E obviamente que isso para, o golfe, também é um fator muito importante a ter em conta, quando se jogam seis dias seguidos, com voltas de treino e mais dias de competição, o cansaço físico é grande. Esta aqui, na mão, era completamente impeditiva. O facto de eu ter achado que as coisas se resolviam facilmente, o facto de os médicos também pensarem o mesmo… mas depois tudo atrasou-se e isso acabou por frustrar-me um bocadinho e tirar-me alguma chama competitiva.

GT – Uma experiência bem dura.
TB – Foi mesmo bater um pouco no fundo. Porque há mais de 10 anos que sonhava em ter uma carreira profissional e depois teria de optar por, eventualmente, parar tudo. Tive uma conversa muito séria com o antigo presidente da Federação, o Miguel Franco de Sousa, e com a equipa técnica nacional (liderada, então, por Afonso Girão), para perceber se quereria manter-me ligado ao golfe e perceber se poderia colaborar com a FPG, com o golfe de alta competição.
GT – Ah, daí teres-me dito no verão que irias acompanhar alguns jogadores da seleção nacional de amadores ao estrangeiro. Conta como foi a experiência.
TB – Para mim foi uma experiência muito boa, ter trabalhado com as seleções nacionais (amadoras), nesses meses em que estava em recuperação, não só em recuperação física, mas também em recuperação mental, da minha paixão pelo jogo, da minha vontade de competir. Fui a várias competições, de sub-14, sub-16, ao Campeonato da Europa de Homens, e ainda a vários estágios, foi espetacular.
GT – Mas na altura não estavas a morar nem em Paredes de onde és, nem em Lisboa, onde se faz quase todo o trabalho técnico da FPG?
TB – Não, continuei a viver no Algarve, onde estou há vários anos. Essa experiência com a FPG, de estar com os jogadores amadores, a transmitir-lhes essa experiência que adquiri ao longo destes anos de competição, sobretudo às gerações mais jovens, foi muito enriquecedor e fez-me ver o jogo de uma perspetiva diferente. Noto que hoje (fevereiro de 2025) sou um jogador mais maduro e tenho mais maturidade para resolver algumas situações do que antigamente, quando fervia em pouca água, digamos assim. Foi devido a essa experiência e agradeço muito à Federação por ter-me dado essa oportunidade.
GT – Sentiste que os jogadores mais jovens, amadores, respondiam positivamente? Sabiam quem era o Tomás Bessa, que foi campeão nacional de profissionais em 2020, que jogou muito bem no Alps Tour e também no Open de Portugal at Royal Óbidos do Challenge Tour?
TB – Sim, eles ouviam-me com muita atenção e respeitavam-me. Eu também falei sempre com eles com proximidade. Queria que me respeitassem como treinador, mas também que me vissem como uma pessoa amiga, com quem poderiam contar. Acho que consegui criar essa relação com muitos deles e que ajudei-os.
GT – Em todo esse processo, também muito enriquecedor, nessa fase com a Federação, quando começaste outra vez a pensar que, afinal, seria possível voltares à competição?
TB – Comecei a acompanhá-los a alguns torneios e pegava num taco de um ou de outro para exemplificar alguma coisa, um tipo de shot, e comecei a sentir que não tinha dores. E o facto de viver a competição com eles, de viver aquela adrenalina no tee do 1, de voltar a fazer as rotinas, como acordar cedo, treinar depois da volta, tudo isso trouxe-me memórias que estavam guardadas como algo que me trazia alguma infelicidade, mas, ao viver isso com eles, com outra maturidade, fez-me querer voltar ao golfe competitivo com outra experiência. Olhando para isto, agora, de fora, desta maneira, vejo que quis ver se gostaria de voltar outra vez a este cenário, para perceber se realmente tinha aprendido alguma coisa e poderia usar aquela experiência em meu favor.
Tomás Bessa com o troféu de campeão nacional de profissionais 2025, junto a Rui Morris, presidente da PGA Portugal
GT – Isso é interessante, porque oiço alguns jogadores dizerem que fizeram comentários televisivos quando estavam lesionados e passaram a ver o jogo de uma forma diferente. Agora estou a ouvir-te dizer-me algo parecido, mas com outra experiência, não é bem o mesmo do que comentar, mas, de certa forma, permitiu-te também algum distanciamento, sem perder o contacto com o dia a dia da competição e olhares mais para a ‘big picture’.
TB – Exato, foi isso que me aconteceu. Eu também sou uma pessoa muito emocional e quando as coisas não me corriam bem, estava ali na minha bolha, tinha uma perspetiva um bocado catastrófica de más voltas, de más semanas. Ora um golfista, para ser bem sucedido a longo prazo, tem que pôr isso tudo em perspetiva, não é? Porque são muitas as semanas de cuts falhados, são muitas as semanas em que pomos as coisas em causa e depois desta experiência e desta perspetiva de ter de passar uma mensagem positiva aos atletas da seleção e ter de lidar também com os problemas deles e arranjar-lhes soluções, descomplicou-me um bocado os meus próprios problemas. E, por isso, ganhei vontade de voltar ao golfe. Não por achar que tenha as soluções todas do mundo, mas por achar que vou ter outra maturidade e outra forma de gerir o jogo em si e a frustração que o jogo poderá vir a causar.
GT – Sabemos que fazes parte de uma família muito unida. Vocês têm um ambiente familiar coeso. Ora, a tua irmã, Leonor, também foi campeã nacional de profissionais como tu e jogou no equivalente ao Challenge Tour feminino, o LETAS, mas teve uma experiência diferente, pois quis afastar-se de vez do golfe. Nós esperamos sempre que ela, mais tarde ou mais cedo, volte, nem que seja só uma vez por ano para jogar o Campeonato Nacional, mas poderá nunca voltar. Tem outra carreira bem sucedida como ‘chef’. Chegaste a falar com ela, como estava a ser a experiência dela, se tinha sido fácil para ela, se sentia saudades?
TB – Eu sou muito próximo da minha irmã e nós conversamos muito sobre as nossas experiências de vida. Como fomos os dois profissionais ao mesmo tempo, achei que ela era uma pessoa que poderia aconselhar-me bem. Quando decidi que queria parar também, consultei-a. E depois, quando decidi voltar, também partilhei muito com ela a minha frustração, alguns medos que sentia e ela também ajudou-me a ver as coisas de outra maneira. Tanto a minha irmã, como os meus pais, como a minha namorada, temos uma relação muito próxima e gostamos de partilhar este tipo de coisas para percebermos se podemos ajudar-nos uns aos outros, com as experiências de vida que cada um já teve e foram bastantes. Se não fosse esse meu grupo de pessoas mais próximas, provavelmente não estaria aqui agora a falar com este entusiasmo sobre o meu regresso.
Com a sua irmã Leonor após dobradinha dos Bessa no Campeonato Nacional de Profissionais Solverde 2020, em Vidago
GT – E em relação ao ambiente em que vives no Algarve? Terá ajudado ou, pelo contrário, desajudou? Vieste para o Algarve para ter melhores condições de treino e mais gente com quem treinar para teres mais competitividade. Pudeste falar com outros jogadores que também tiveram já lesões e puderam ultrapassar estas fases ou, pelo contrário, era mais difícil estar ao lado deles vê-los a jogar, vê-los a competir e tu não poderes? Se estivesses, por exemplo, em Paredes, longe desse ambiente, teria sido mais fácil?
TB – Não sei, acho que teve um bocadinho de tudo. Era bom, por um lado, eu estar cá em baixo, no Algarve, porque podia partilhar com os meus amigos profissionais, com quem treino todos os dias, o que estava a sentir e eles podiam ajudar-me a perceber esses sentimentos, porem-se na minha pele e darem-me mais uma ajuda. Mas também, o facto de estar no Algarve, longe do meu agregado familiar, dificultou-me algum suporte, alguma logística de apoio.
GT – Lembras-te de alguma conversa que te tenha marcado com algum familiar, algum jogador, algum treinador?
TB – Lembro-me de várias conversas que tive com a minha namorada (Inês) sobre esta hipótese de voltar ou não voltar, especialmente sobre fazer a cirurgia. Se não fosse ela a tentar convencer-me de que seria bom para mim estar a 100%, mesmo que não fosse para jogar golfe, que deveria fazer a cirurgia para não ter mais dores. Portanto, ela também desempenhou um papel fundamental na minha tomada de decisão. Fez-me ver que, embora houvesse coisas no golfe que pudessem trazer-me alguma frustração, alguns maus resultados que tive em 2023, especialmente no final do ano, e que estavam cá marcados; embora pudesse haver alguns medos que tinha e que fizeram-me não ir à procura de todas as possibilidades para estar a 100%, fizeram-me atrasar essa decisão; ela fez-me ver que havia muitas coisas positivas e que, realmente, era mesmo o golfe que eu gostava de ter na minha vida. Tinha de dar uma hipótese real a um regresso à minha carreira profissional.
GT – No Open de Portugal at Royal Óbidos (setembro de 2024), quando voltaste só para fazer um teste antes da cirurgia, vi-a, a Inês, a seguir-te sempre, em todas as tuas voltas. Parecia-me que compreendia bem as exigências da tua profissão. Foi importante, também para ela, estar naquele ambiente, sempre diferente, com muito mais gente envolvida, e viver por dentro o que é o teu sonho?
TB – Ela é psicóloga desportiva, portanto, tem alguma experiência do que é o meio desportivo e do que é a vida de um atleta de alta competição. Mas foi algo, obviamente, novo para ela, acompanhar-me num Open de Portugal, com mais gente, com uma logística de torneio diferente, e foi muito bom tê-la nesse ambiente. Ela percebe perfeitamente o que implica viver – nós vivemos juntos – com um atleta de alta competição, em termos de regras, de disciplina, de horários, de rotinas. Acho que ela até acaba por ter um grande papel, porque entusiasma-me, faz com que eu seja mais cumpridor e mais profissional comigo mesmo. Não só compreende, como incentiva-me a ser melhor e está sempre a procurar coisas para ajudar-me a crescer como atleta. Temos uma relação muito boa nesse sentido.
Esta semana durante o Pinhal Open em Vilamoura, a primeira prova do PT Tour 2026
GT – Não sei se há dimensões religiosas na tua vida, mas dá-me a ideia de que, a dada altura, precisaste de uma certa fé.
TB – Certo, não sou um católico praticante, mas precisei, claro, precisei de fé e, fundamentalmente, do apoio das pessoas que me são próximas. Foi fundamental.
GT – As tuas lesões apareceram, quer a do joelho, quer agora esta na mão, quando estavas mesmo a atingir picos de forma. E esta última veio pouco depois de teres estado a liderar o Open de Portugal. Estiveste a lutar pela vitória até ao fim. Estavas mesmo a entrar naquele teu sonho e foste obrigado a uma paragem tão prolongada. Sentes que poderás voltar a esse nível, ou pelo contrário, a amargura é maior por teres sido travado quando estavas quase a chegar lá?
TB – Gosto sempre de olhar para as coisas como uma aprendizagem. Se senti que o Tomás Bessa em 2023 já estava próximo de chegar a um nível de golfe bastante competitivo em qualquer circuito, sinto que a pessoa que sou hoje, com a experiência que adquiri, com a maturidade que a vida me trouxe ao longo destes dois anos, acho que posso chegar a esse nível e a intenção é que chegue a um nível ainda mais elevado. Vejo simplesmente isto como uma pedra no sapato, uma aprendizagem para saber gerir a frustração e para perceber se realmente era isto que eu queria para a minha vida. Isto deu-me outras armas para utilizar a meu favor neste regresso à competição.
GT – Estás com 29 anos, não é? Vais ainda muito a tempo.
TB – Vou fazer 29 (em 2025). Sinto que não cheguei sequer ainda próximo do meu auge, do meu potencial máximo, porque há muita coisa que ainda tenho de explorar, tanto a nível técnico, como a nível mental, como a nível da rotina e da gestão do treino. Isso vai fazer-me dar um grande passo em frente. Vejo outros jogadores portugueses a serem bem sucedidos e também eles tiveram altos e baixos. O Ricardo Melo Gouveia está outra vez a jogar bem, mas passou ali por dois ou três anos muito difíceis. O Tomás Melo Gouveia demorou muito tempo a começar a jogar bem e agora, de repente, está muito sólido, está aí com força. Cada um tem os seus ritmos, o seu percurso. O golfe, qualquer desporto de competição, passa muito pelo autoconhecimento, como reagimos nos momentos de pressão. Acredito que todos os que já jogaram golfe a um bom nível, que já venceram torneios, são mesmo muito bons e conseguem reproduzir praticamente todos os shots a treinar. Agora, quando as consequências estão lá, quando é hora H, quando há muito público e há muitas coisas em linha, aí é que eu acho que entra muito o conhecimento pessoal, o controlo corporal. Precisamos já de experiências vividas anteriormente. Cada um chega a esse estado fluído em competição em tempos diferentes. Não há muitos Rory McIlroy que consigam chegar ao DP World Tour aos 18 anos.
GT – Durante esta tua longa paragem, interessaste-te por outras coisas na vida? Quando eras miudinho, 14, 15, 16 anos, tu e a tua irmã falavam de coisas diferentes e nem sempre falavam só de golfe. Mas depois, no campo, parecia que vocês estavam muito centrados quando estavam a jogar. Inicialmente até te achava demasiado fechado em ti mesmo…
TB – …Sim, porque eu não sorria, estava sempre com uma cara muito zangada no campo e aquilo era tudo para mim.
GT– Esta paragem deu-te a oportunidade de te explorares como pessoa fora da competição?
TB – A minha vida foi sempre no desporto. Fiz sempre outros desportos. Joguei também andebol, futebol, e muitas coisas ao crescer. E gosto muito de seguir o ténis e outros desportos de raquete. Comecei a interessar-me mais pelo padel. Tive umas aulas, entrei numas turmas de competição.
GT – E como a lesão era na mão esquerda e és destro, à direita podias jogar padel.
TB – Exatamente, como era à mão esquerda, à direita podia jogar com algum cuidado. Também acabei por fazer um grupo de amigos engraçado, tanto no Algarve como no Porto, ligados ao padel. Conheci a minha namorada no padel. Foi algo que descobri e que veio preencher-me a ausência do golfe. Acabou por ser muito benéfico para eu gerir toda esta situação negativa, entre aspas, que a lesão me trouxe.
GT – Estavas a começar a ganhar algum dinheiro, quando de repente tudo parou. Deve ser muito difícil estar bem mais de um ano parado sem conseguires ganhar dinheiro. É que não se ganha assim nada de jeito nem no Alps Tour nem no Challenge Tour, onde jogavas. Não deu para amealhar muito.
TB – Sim, esses circuitos são mais um investimento em nós. Quando as coisas estavam a sorrir um bocadinho em termos financeiros, foi quando se deram estas lesões. Não tem sido fácil financeiramente. Nesses anos eu tinha mais sponsors do que tenho neste momento. Tenho a PING e a Transduo (entretanto, para 2026, irá juntar-se a RBT Consulting e há negociações com a LusoRacks), que continuam a apoiar-me. Estou, obviamente, muito grato por todos os outros que apoiaram-me antes e, naturalmente, as coisas têm um início e um fim. Só tenho que estar extremamente grato. Estou a trabalhar com o Pedro Lima Pinto (o seu agente de sempre), para tentarmos angariar o máximo possível de verbas para viabilizarmos a época. Não tem sido fácil, mas, pronto.
GT – Lembras-te daquela grande entrevista no início do ano? Vamos publicá-la agora, porque está muito boa e poderá ser até encarada como um exemplo de superação. Para complementá-la, peço-te só que, agora, em dezembro, faças um resumo do que consideraste ter sido esta época de 2025, tendo em conta as expectativas que tinhas quando recomeçaste a competir e aquilo que conseguiste. Julgo que obviamente, um ano em que és campeão nacional, nunca poderá ser negativo, não é?
TB – Não, é, obviamente, um ano positivo. É claro que um jogador de golfe acha sempre que consegue fazer um bocadinho melhor do que realmente acontece, mas nós temos essa sensação em campo. Se olhar de fora para o meu ano, consigo aperceber que foi um ano positivo. Fiz uma série de bons resultados no Challenge Tour (HotelPLanner Tour), fui campeão nacional. Fica sempre a ideia de que conseguiria fazer um bocadinho mais, mas isso também é bom para nos motivarmos para o ano seguinte. Mas, sem dúvida, foi um ano positivo. O meu grande objetivo era ter alcançado uma categoria no HotelPlanner Tour. Não o consegui, por pouco. Em 2026 terei mais oportunidades do que no ano passado. Em 2025 tive seis convites e este ano acho que vou ter oito convites. Tendo mais oportunidades, será mais possível. Em 2025 foi aquele embate novamente com a realidade. Acho que se avizinha um bom ano. Estou feliz, estou motivado, é continuar a trabalhar e melhorar aquilo que tenho para melhorar.