
Números demonstram que “Melinho” já garantiu cartão do European Tour para 2016
Ricardo Melo Gouveia garantiu neste domingo a subida ao European Tour, depois de ter-se sagrado vice-campeão do D+D REAL Slovakia Challenge, de 165 mil euros em prémios monetários.
O actual 156.º classificado no ranking mundial (era 195.º antes do segundo lugar de ontem) é o único jogador do top 15 do Challenge Tour a ter passado o cut em todos os torneios que participou este ano na segunda divisão europeia (10).
Mas ainda mais impressionante é o facto de ter assegurado a promoção à primeira divisão em apenas quatro meses, uma vez que o Challenge Tour só começou em abril.
Desde então, colecionou uma vitória na Alemanha (AEGEAN Airlines Challenge Tour by Hartl Resort), na semana passada, dois 2.º lugares (Challenge de Madrid e hoje), e mais quatro top 10’s!
Dos dois portugueses que anteriormente usaram o Challenge Tour como trampolim para o European Tour – Filipe Lima em 2004 e 2009 e Ricardo Santos em 2011 – só Lima conseguiu mais cedo o passaporte para o escalão principal, quando em junho de 2004 venceu o Aa St. Omer Open, um torneio que contava simultaneamente para os European e Challenge Tours e que, por isso mesmo, ofereceu isenção de um ano ao campeão… que na altura ainda representava França, embora com dupla nacionalidade.
Com ainda meia época pela frente, como é possível proclamar desde já a elevação de “Melinho” à elite do golfe europeu, apenas um ano depois de se ter tornado profissional?
Primeiro de tudo, é preciso dizer que o prémio de 18.150 euros por se ter sagrado ontem vice-campeão na Eslováquia permitiu-lhe ascender do 2.º ao 1.º lugar da Corrida para Oman (o ranking do Challenge Tour), destronando o francês Sebastien Gros.
Depois, porque as contas são razoavelmente simples e prendem-se com o facto de o regulamento ditar que o top-15 final de 2015 da Corrida para Omã subirá ao European Tour.
Ora se verificarmos todos os 15.ºs classificados no final de cada época entre 2010 e 2014, ou seja, nas últimas cinco temporadas, constatamos que nenhum atingiu os 84.194 euros de prémios que o algarvio amealhou em apenas dez torneios: em 2014 foi o inglês Jason Barnes (23 torneios), com €77.793; Em 2013, o escocês Jamie McLeary (23) com €78.676; Em 2012, o sul-africano Justin Walters (21) com €69.913; Em 2011, o inglês Andrew Johnston (10), com €70.987 e em 2010, o australiano Matthew Zions (19), com €63.176.
Este raciocínio tem apenas um risco, o facto de o Challenge Tour ter vindo a aumentar quase todos os anos o seu total de prémios monetários anuais e de ser necessário levar isso em conta, mas é praticamente impossível Ricardo Melo Gouveia falhar o European Tour em 2016 e seguir os passos de Daniel Silva, Filipe Lima e Ricardo Santos, os únicos portugueses que antes dele tiveram cartão de membro efetivo.
O próprio jogador tem consciência desse facto, como declarou ao GolfTattoo: “Eu sei que provavelmente já garanti o cartão do European Tour para o próximo ano, estou muito contente por isso e o meu objetivo agora vai mudar. Visto que, em princípio, já assegurei o cartão do European Tour, o meu novo objetivo passa a ser acabar em 1º no ranking do Challenge Tour.”
Se o conseguir, irá quebrar um recorde nacional, uma vez que Filipe Lima terminou em 2.º dessa hierarquia na época de 2009 e Ricardo Santos encerrou em 4º a temporada de 2011.
E pelo caminho, a antiga estrela dos “Knights” da UCF (Florida) poderá apoderar-se de outro recorde nacional, o de sucessos em etapas do Challenge Tour, que partilha neste momento com Filipe Lima.
Na semana passada, Ricardo Melo Gouveia somou o seu segundo título neste escalão e o que se viu esta semana mostrou que outro troféu poderá estar mesmo ao virar da esquina.
Afinal, o campeão nacional amador de 2009 só não se tornou no primeiro jogador a somar duas vitórias consecutivas no Challenge Tour desde 2012 porque o espanhol Borja Virto Astudillo protagonizou dois momentos de pura inspiração e brilhantismo.
Primeiro no buraco 8, quando fez “um up & down de 80 metros” para um bogey que lhe soube a birdie: “Foi um bom bogey, porque tinha enviado a minha segunda pancada para dentro de água.”
E depois, naquele mágico chip-in no último buraco, numa altura em que estava empatado com o n.º1 português, levando Melo Gouveia a desabafar na sua conta profissional no Facebook: “Foi um 2º lugar com um sabor um pouco amargo, pois no 18 o vencedor acabou com um chip-in e eu não consegui concretizar o meu putt. O golfe é assim e se não ganhei hoje foi porque não tinha de ser.”
É com esta tranquilidade que Melo Gouveia regressa a Portugal para “duas semanas de preparação para o próximo torneio que será o Madeira Islands Open BPI [inicia-se a 30 de julho]”.
O português que este ano já venceu três torneios (PGA Portugal Tour, Algarve Pro Golf Tour e Challenge Tour) deixou ainda uma mensagem de agradecimento aos seus mais próximos: «Obrigado ao meu pai que veio de caddie esta semana e á minha namorada Carolina Almeida Pires que veio dar o seu apoio durante o fim de semana».
Em relação aos outros portugueses que competiram na Eslováquia, Filipe Lima embolsou €1.898 e ascendeu ao 44.º lugar na Corrida para Omã com €14.261; João Carlota arrecadou €536 e ocupa o 179.º posto com €1.576, enquanto Pedro Figueiredo, que falhou o cut, surge na 134ª posição com €3.862.