
João Oliveira foi o campeão net e João Maria Ivo de Carvalho o melhor em gross
Os portugueses dominaram o 37.º Grande Troféu de Vilamoura que a Details, do grupo Arrow, organizou em três dos seus campos de elite, o Old Course Vilamoura, o Pinhal e o Millennium.
João Oliveira, do Club de Golf de Miramar (em Vila Nova de Gaia) elevou o troféu principal, sagrou-se campeão da prova e venceu pela primeira vez um torneio internacional.
João Maria Ivo de Carvalho, do Clube de Golfe de Vilamoura, a jogar em casa, foi o melhor jogador da prova, ao ganhar a classificação gross.
João Maria Ivo de Carvalho, o vencedor gross, com Isolete Correia © GTV
De acordo com informações prestadas pela organização, houve um total de 307 jogadores, com uma longa lista de espera. Nesta altura do ano, com menos horas de luz natural, não é possível ter mais do que 100 jogadores por campo.
Se contarmos com os convidados e acompanhantes dos jogadores, o torneio atraiu a Vilamoura 391 pessoas. Um sucesso indesmentível.
Todos os premiados na 37.º edição do torneio © GTV
Esta 37.ª edição ficou marcada pela despedida de Alice Carlota, a fundadora do torneio, a quem muito se deve a consolidação de um torneio que começou sob a égide do Grupo André Jordan, passou pelo Oceânico Group, pelo Grupo Dom Pedro, para ser agora um evento da Details.
Alice Carlota vai reformar-se, foi alvo de uma bonita homenagem por parte de Nuno Sepúlveda, do CEO da Details e presidente do CNIG, e teve a garantia da continuidade do evento no futuro.
Os três dias de torneio foram disputados sob uma temperatura mais elevada do que a média habitual nesta altura do ano, quase sempre com sol e muito pouca chuva.
Como sempre, jogou-se em medal, portanto, com obrigatoriedade de contarem-se todas as pancadas. Foi isso que levou, em tempos, a Federação Portuguesa de Golfe a incluí-lo no grupo de torneios clássicos de clubes históricos, contando durante algumas edições para o Ranking Nacional BPI.
O regulamento dita que é declarado campeão do torneio o vencedor da classificação ‘net’ e esse foi João Oliveira, que competiu nas quartas categorias, com um handicap 27. Somou 210 pancadas, após voltas de 75 (+30) no Pinhal, 75 (+27) no Old Course e 60 (+12) no Millennium.
Bateu por 4 pancadas Maria do Carmo Godinho, do Estela Golf, com hcp de 35, que agregou 214 (68+76+70).
Na classificação gross, João Maria Ivo de Carvalho, a jogar em casa, venceu pela margem mínima de 1 pancada sobre o irlandês Robert Barry.
O jovem de 17 anos, campeão nacional de clubes de sub-18 em 2025, totalizou 228 pancadas, 11 acima do Par, após voltas de 71 (-2) ao Old Course, 77 (+5) ao Millennium e 80 (+8) ao Pinhal. Robert Barry somou 229 (76+72+81), +12.
Golftattoo conversou com o campeão da prova.
GOLFTATTOO – Pelo que percebi, começou a jogar golfe há pouco tempo.
JOÃO OLIVEIRA – Comecei a jogar golfe, mais ou menos, há seis anos. Foi um desafio de um grande amigo, que é um handicap muito baixo. No início, achei muito difícil, mas desafiante. Depois comecei a evoluir, a conseguir fazer uns jogos razoáveis. E a partir do momento em que realmente se vê algum resultado no jogo, é um vício terrível. Eu costumava dizer que foi das piores decisões que já tomei na minha vida. Tinha tanto tempo, tanta coisa para fazer, e agora acordo a pensar em golfe. Dizia às pessoas na brincadeira que isto é um vício terrível. Agora, depois desta vitória, deste troféu, a sensação já é um bocadinho diferente. Acho que compensa, só pelo prazer de estar aqui, neste nível maravilhoso de evento e poder subir ao palco para receber o troféu.
GT – Já ganhou outros torneios?
JO – Só torneios do nosso grupo em Miramar. É a primeira vez num torneio internacional com tantos estrangeiros. Obviamente, não estou acostumado a fazer este tipo de resultados. Para mim próprio foi uma surpresa enorme. Quando acabei o jogo, disse: “alguém me belisque. Isto não está a acontecer e muito menos num torneio destes”. Eu já sabia, pela forma como tenho treinado, que um dia iria sair-me um resultado destes. Mas confesso que nem a jogar sozinho alguma vez fiz uma coisa parecida. Felizmente aconteceu num grande torneio.
GT – E que clube é que representa neste momento?
JO – Miramar.
GT – Mas ouvi que treina no City Golf.
JO – Eu jogo em Miramar. Jogo no norte do país, mais frequentemente em Miramar e em Vidago. Mas o professor que me aconselharam é do City Golf. Comecei a ter aulas no City Golf com o João Nuno Beires…
GT – Sabe que o João Nuno é vice-presidente da PGA Portugal?
JO – É um grande treinador. Já tive muitos, muitos treinadores, que deram-me umas alterações de swing e melhoraram o meu jogo. Mas com o João Nuno Beires consegui obter a consistência que me faltava. Sou relativamente comprido. Para a minha idade e para ter começado há pouco tempo, sou um jogador longo, mas muito inconsistente. A partir do momento em que comecei a treinar com ele melhorei nisso. Ele dizia-me: “da maneira como bates, vai ter que sair um dia”.
GT – Disse-me que quando quer jogar 18 buracos vai muito a Vidago, é isso?
JO – Vou muito a Vidago.
GT – Vidago tem muitas árvores, como acontece aqui com o Pinhal e o Old Course.
JO – Exatamente, é disso que estávamos a discutir hoje (entre os jogadores do grupo de Miramar). Que o facto de eu treinar imenso em Vidago, com os meus amigos, com o nosso grupo, deu-me, de certa forma, um bom treino para este tipo de campos. Porque são campos que, apesar de serem junto ao mar, têm a característica de muitas árvores em jogo.
GT – Volta para o ano?
JO – Sim, agora tenho desculpa em casa para poder voltar, tenho de defender o título.