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A magia do hole-in-one
Crónica
13/11/2014 09:24 Alexandre Franco
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Pela sua raridade, é uma espécie de Euromilhões do golfista

Nunca mais vou esquecer o buraco 7 da Quinta da Barca! Par 3, 140 metros, algum grau de dificuldade, um lago à esquerda do green a dificultar a aproximação. Fiz lá o primeiro, e provavelmente o último, hole-in-one da minha vida.

Um dos meus parceiros de jogo, ainda com boa visão à distância, acompanhou toda a trajectória da bola até ao mágico buraco, sendo o primeiro a saltar de alegria e rejubilar com o feito. Foi uma pancada mais ou menos bem batida, com algum vento lateral a desviar a bola, que saíra um pouco à esquerda, para a bandeira.

Claro que fui absorvido pela natural euforia do momento, mas, não sentia o feito como apenas meu, tinha de o dividir com o vento, pois, na ausência do mesmo, a bola ficaria à esquerda da bandeira.

Mas, com partilha ou sem partilha, para além da euforia e visível satisfação, o que mais me marcou foi a sublime magia do momento, até aí apenas imaginada, aquele formigueiro único e incontornável, de que já ouvira falar, mas cuja sensação nunca experimentara.

Durante a minha ligação ao golfe, já ouvi a descrição de hole-in-one para todos os gostos, desde o shot perfeito, em trajectória e distância, acrescido do backspin, a “cereja em cima do bolo”, conferindo-lhe um efeito muito apreciado por todos os amadores, até ao hole-in-one aos “trambolhões”, numa bota topada, que entrou no green a “voar baixinho”, bateu estrondosamente na bandeira e, para surpresa geral, entrou.

O hole-in-one, pela sua raridade, é uma espécie de Euromilhões do golfista, não importando como foi conseguido, se numa tacada impecável ou numa bola “bem falhada”. O que fica para a história é o resultado final.

Nos anos 60 e 70, no Clube de Golfe do Estoril, o extinto buraco 9, um par 3 a descer, que atravessava a Estrada Nacional, havia um green cuja bandeira, não raras vezes, sobretudo com a vegetação alta, ficava escondida, não visível do tee.

Os muitos japoneses, um dos povos mais fanáticos pelo golfe que conheço, que na altura frequentavam aquele campo, festejavam cada hole-in-one com visível exuberância e, sobretudo, generosidade, tornando-se num alvo fácil e apetecível para os caddies, que, através de um cúmplice escondido nos arbustos, introduziam a bola no buraco e transformavam uma bola falhada num hole-in-one, regado a Champagne e com a inevitável e generosa “gorjeta”.

Será, certamente, o buraco nos campos portugueses onde se fizeram mais hole-in-ones.

O hole-in-one representa mais do que vencer a partida ou fazer o par do campo; é o sonho tornado realidade, algo que pode nunca acontecer em dezenas de anos na carreira de um golfista.

Pelo sim pelo não, mesmo acidental e com a ajuda do vento, o meu já cá canta!

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